sábado, 23 de agosto de 2014

Jazz, literatura contra o “Mal da Pipa”.

thD1YBRMYU Quando surgiram os primeiros cartazes sobre o Fest Bossa e Jazz na praia da Pipa, eu fiquei encabulado por não conhecer muito aquelas figuras que iriam tocar. Pra falar a verdade, nem sabia direito o que era era isso. Uma musica estranha com músicos fazendo caretas e tocando de forma aleatória. Acho que eu já tinha visto isso na abertura do programa do Jô Soares, mas nunca entendi direito a coisa. Será que sou um alien?

Sensação estranha também tive quando foram anunciados os convidados do FLIPIPA ocorrido ha algumas semanas. Tanta gente desconhecida, falando sobre autores que nem sabia que existiam. Cheguei ao “descaso”de esbarrar com uma imortal da Academia Brasileira de Letras quando fui fazer umas fotos num dos hotéis aqui da região. Só soube por conta dos funcionários surpreendidos que vieram me falar quem era aquela pessoa que eu tinha esbarrado os ombros. Será que ganhei um pouquinho de imortalidade?

É por conta dessas “sensações estranhas” que esses festivais culturais que estão ocorrendo, graças ao esforço monumental de verdadeiros heróis do conhecimento, são importantíssimos para nossa região. Ilhados num paraíso de algumas mornas e pessoas querendo se divertir, raramente nos damos conta que existe um mundo diferente lá fora. 

Contaminados com o “mal da Pipa” nos damos conta de que passamos anos ou meses sem ler nada, ou sem escutar uma musica diferente… Em nossa mente, entram por osmose, canções compostas por “Safadões, Aviões e Grafiteiros” cujas letras parecem ter sido inspiradas por flatos de seus momentos no banheiro.

Ao nos sentirmos burros ou ignorantes diante de artistas famosos que nunca ouvimos falar, estamos na verdade abrindo uma porta para conhecer o novo e sair um pouco dessa ostra que nos isola do mundo civilizado. Sim, existe um mundo lá fora, longe dos sons altos dos buggys que passam embriagados pelas ruas, e dos crentes cantando desafinados na igrejinha da esquina.

A proposito. Depois de uma overdose de Jazz e Blues, cheguei a conclusão de que essas coisas não são para serem definidas, mas apenas para serem sentidas. O Jazz é um verdadeiro “mergulho musical” e a Bossa, uma versão abrasileirada do mesmo com acordes difíceis e tons “impossíveis” feitos muitas vezes alí mesmo na hora, de improviso, sendo um verdadeiro show de talento e de conhecimento musical. Aprendi isso, sem Wikipédia nem nada. Apenas, sentindo na veia o que é um verdadeiro espetáculo de novos ritmos e tons. Sobre o FLIPIPA, acabei pesquisando um pouco mais sobre os autores e descobrindo verdadeiros gênios da literatura brasileira e suas obras que enriquecem a alma.

Parabéns aos organizadores do Fest Bossa e Jazz deste ano, e aos organizadores do FLIPAUT e de todos os festivais culturais que vem ocorrendo por aqui. Obrigado por nos mostrarem o antídoto contra o “mal da pipa”.

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