- Nome de duas cidades no Rio Grande do Norte, “Tibau” não é uma expressão indígena como pensávamos.
O termo “Tibau” que dá nome a duas cidades no Rio Grande do Norte não vem de uma expressão indígena significando “ty-pao” como é amplamente divulgado. Segundo Helio Galvão em seu livro “Derradeiras Cartas da Praia & Outras notas sobre Tibau do Sul. O termo se refere a o nome de uma família de origem portuguesa.
“Tibau não esta na cartografia dos primeiro s séculos, nem há referencia especifica anterior ao século XVII. Não é palavra tupi. O Brasil ainda estava por ser descoberto e já havia muita gente com esse nome de família. O vocabulário é de procedência portuguesa, nome de varias famílias, remontando o antigo radical germânico. É o mesmo que aparece no francês Thibaul, que veio de eudobaldos. É o mesmo do inglês Baldwin. É o mesmo que produziu Balduino.”
O celebre escritor fez uma ampla pesquisa e em seu livro relaciona uma serie de figuras da família Tibau que fizeram historia na corte portuguesa e no nordeste brasileiro. Inclusive, faz referencia ao brasão de origem portuguesa da família que esta presente na bandeira da cidade de Tibau do Sul.
“O Armorial Lusitano, publicado pela Editorial Enciclopédia Ltda. (Lisboa, 1961) sob direção do prof. Afonso Eduardo Martins Zuqete, refere uma dessas famílias, que obteve foro de nobreza e descreve seu brasão:
“De vermelho, com uma arvore de verde, arrancada de prata e perfilada de ouro, sustida por dois leões afrontados… Timbre, o leão do escudo, tendo um ramo de arvores na garra direita”.”
Abaixo a Bandeira do município de Tibau do Sul criada em 3 de abril de 1963
Por volta de 1760 a 1873 o vilarejo com o nome Tibau já existia, e foi palco de um encontro de culturas francesa, germânica e portuguesa com os índios potiguares que ali viviam confirmando a teoria de que “Tibau” não significa “ty-pao” derivado do tupi.
O mito do “entre duas aguas” surgiu por ser uma bela historia de uma cidade que vivia entre as aguas da lagoa Guaraíras e o Mar…
Termino a postagem com as palavras do próprio Helio Galvão:
“A gente deve ter muito cuidado com etimologia. Essas explicações, esses ajustamentos para dar certo, acabam numa decepção como esta, reveladora da ignorância da historia e das poucas leituras que fizemos”.
Salve o grande o Helio Galvão!
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