Hoje estou aqui escrevendo não apenas como um autor de blog mas como também uma vítima da violência. Hoje, uma pessoa próxima foi assaltada junto a 12 colegas estudantes que aguardavam na parada para voltarem as suas casas após mais um dia de aula. "Assaltos são normais" vão dizer alguns. "ahh aquele local é perigoso mesmo", vão dizer outros mas, poucos deles terão sentido o que é alguém apontar uma arma na sua cara e ameaçar tirar a sua vida por conta de um mísero celular. "deu bobeira, roubam mesmo, é preciso andar ligado".
A violência é uma realidade, não apenas uma invenção dos jornais e da mídia especializada mas, parece já não chocar. As pessoas lidam com a violência como lidam com a fumaça de cigarro ou como aquele vizinho chato que vem te pedir açúcar mas sempre tem dinheiro pra cachaça. É algo que aprendemos a tolerar e encarar por mais que incomode.
Tanto faz se te assaltam numa parada de ônibus, na entrada de casa ou se roubam um banco usando explosivos. O importante é que amanha é mais um dia e que terá festa para comemorar alguma coisa que mais tarde falirá por conta da violência ou da "crise", seja existencial, moral ou ética.
Não dá pra controlar a violência, ela vem de repente, sem avisar e quando chega, não há como fugir. Isso nos torna reféns do medo e nos ensina a viver constantemente em alerta para não perder os bens frutos de nosso trabalho ou a nossa vida e a de quem amamos. Aprendemos a aumentar o muro, a por cercas elétricas, alarmes, travas, trancas, gravetos, arame farpado, câmeras, sensores e tudo mais que nos dê a falsa sensação de estarmos seguros em casa.
Nas ruas, não dá mais para andar a pé. Nos trancamos nos carros, fechamos os vidros e não nos importamos em pagar o preço uma refeição por 2 litros de gasolina, respirar o ar artificial do ar-condicionado ou delapidar a renda mensal na prestação e manutenção de um automóvel para nos sentir mais seguros no simples ato de ir e vir.
Enquanto escrevo essas linhas, alguma mãe pelo brasil deve ter perdido um filho. Somos o país mais violento do mundo e nossa capital do estado, Natal, acabou de ganhar o título de CIDADE MAIS VIOLENTA DO BRASIL. O que fazer? Autoridades dizem que "é normal pois melhoramos o sistema de registro de ocorrências". Ou seja: A culpa pela violência não é pelo fracasso do sistema sócio-cultural e pela má gestão e interesse dos políticos mas sim pela melhora do registro de ocorrências!!
Não sei mais o que fazer. Há alguns anos, após sucessivos assaltos, saí de minha cidade natal com minha família em busca de um lugar mais calmo e tranquilo. Por 13 anos me sentia seguro e em paz aqui na cidade mas, diante do ocorrido, não sei mais o que fazer.
O Brasil pra mim já deu. Agora vou me trancar no meu próprio país, me entregar a alguma religião que distorça minha percepção de realidade e sonhar com dias prósperos e felizes, longe da inveja, arrogância, incompreensão, desigualdade, corrupção e de todo mal que chamam de violência.
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