- Conheça a fantástica historia do canal que mudou a Lagoa Guaraíras para sempre.
Antigamente a Lagoa Guaraíras era uma lagoa comum isolada do mar. Com águas doces e calmas, era riquíssima em peixes e espécies da fauna local como o peixe boi marinho. Era rodeada por vilarejos de índios potiguaras. A lagoa desaguava através de um riacho, para a vizinha lagoa de Papeba, cujo despejo formava um rio, identificado no Mapa de Marcgrave (abaixo) como o Tarairi (Trairi). Este, por sua vez, desaguava no mar, na atual praia de Barra de Tabatinga, que fica no município de Nísia Floresta-(RN).
Quando chovia muito, a lagoa transbordava, causando inundações nas vilas ao seu redor. Então por volta do século XVII, os Holandeses - Flamengos - que moravam em uma de suas ilhas convivendo de forma totalmente pacifica com os Índios nativos, decidiram em conjunto construir o primeiro canal de ligação com o mar.
Não se sabe muito sobre o antigo canal holandês, existem poucos registros históricos só que tinha largura suficiente para dar passagens as enormes naus dos flamengos e que media aproximadamente 800 metros do mar até a lagoa. Provavelmente, era beirado por pedras, semelhantes as que cercam hoje a Ilha do Flamengo (onde eles habitavam). Especialistas em construção de canais e exímios engenheiros, podemos supor sem muitas duvidas que o canal holandês era constituído também por algum sistema de comportas, que teria função de manter a navegação em seu interior estável, e evitar que a água do mar invadisse a lagoa comprometendo sua fauna e flora.
Acima: Ilustração holandesa descrevendo a prefeitura da Parayba do Sec. XVII. Estudiosos dizem se tratar de uma ilustração do Rio Paraiba mas mostra um cenário incrivelmente semelhante ao da Lagoa de Guaraíras, com todos os detalhes.
Com a morte cruel dos holandeses e índios assassinados pelos portugueses furiosos vieram tomar de volta a “sua terra”. O canal ficou esquecido e foi tomado por uma duna de areia, o que o fez desaparecer completamente permanecendo assim por quase 3 séculos.
| Vila de Tibau do Sul antes da abertura do canal artificial. |
A Ligação natural não prejudicava o ecossistema da lagoa, pois permitia apenas a saída da água doce por cima da terra ja estável que a circundava.
Em 1890 ouve uma tentativa de reabrir o primitivo canal, obedecendo a um plano elaborado pelo conceituado engenheiro Thompson Viegas. As obras deixaram o canal parcialmente reaberto.
O canal com 10 metros de largura e 800 metros de cumprimento. A profundidade, maior do que a do canal antigo dos holandeses e as técnicas de construção o deixaram fraco demais para resistir a força da água das chuvas.
Segundo o autor Hélio Galvão (Novas Cartas da Praia), o povoado de Tibau, existente à beira do canal, foi construído por aquela cheia de 1924: “Uma noite de abril, as águas irromperam, incoercível, e levaram o povoado todo, deixando a ponta da rua em que ficava a igreja, e as casas que lhe ficavam abaixo. Foi uma noite de terror. Todas as famílias desabrigadas, debaixo de árvores e moitas".
| Algumas horas após o rompimento do canal: Só sobrou algumas casas mais altas e parte da rua principal |
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| Lagoa Guaraíras Atualmente |
Até hoje andando pela praia de Tibau do Sul, encontram-se pequenos restos de azulejos, telhas e tijolos que faziam parte das casas da antiga Vila. Restos que a cada dia se dissolvem se tornando pequenas pedrinhas em forma de seicho ou se escondem entre os arrecifes da praia principal.
Com a mistura das águas, o antigo ecossistema da lagoa de água doce foi totalmente alterado, dando espaço a um ecossistema completamente novo de estuário marinho. Sendo hoje lar de cavalos marinhos, golfinhos, meros, muitas garças e aves de todos os tipos, além de uma riquíssima vegetação de manguezal.
Diariamente podemos acompanhar o "espetáculo" de vazão e cheia da lagoa acompanhando o ritmo das marés.
Barreiras coloridas com mais de 10 metros de altura foram formadas pela erosão das águas do mar entrando e saindo do braço de mar ao longo dos anos.
O fluxo dos rios que desaguavam pela foz do rio Trairí no mar foi redirecionado para a bacio da lagoa Guraíras mudando completamente a hidrografia da região e expondo nascentes que hoje formam pequenas lagoas como a Lagoa do Arituba em Barra de Tabatinga.
Na imagem ao lado, foi feita uma sobreposição do antigo mapa de Marcgrave com imagens do Google Earth atuais. A foz do Rio Trairi foi extinta, e hoje da lugar a pequenas lagoas de águas doces. Enquanto a área da lagoa de Guaraíras propriamente dita quase dobrou de tamanho.
Religião:
O fluxo dos rios que desaguavam pela foz do rio Trairí no mar foi redirecionado para a bacio da lagoa Guraíras mudando completamente a hidrografia da região e expondo nascentes que hoje formam pequenas lagoas como a Lagoa do Arituba em Barra de Tabatinga.
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| Sobreposição do Mapa Holandês e Imagens atuais. |
Religião:
Todos os anos em janeiro, há uma procissão para Nossa Senhora dos Navegantes que antigamente contava com barcos de todas as localidades ao redor da grande lagoa.
A procissão termina com a celebração de uma missa sobre o local da antiga igreja da vila de Tibau.
Uma fato curioso é que, após ser destruída pelas aguas, os destroços da cidade permaneceram boiando por algum tempo na Lagoa Guaraíras.
A imagem do padroeiro da vila de Tibau Santo Antônio, foi encontrada na outra margem da lagoa na vila de Georgino Avelino, e hoje é o padroeiro da cidade. Os antigos dizem que o Santo foi “nadando” até aquela localidade.
A imagem do padroeiro da vila de Tibau Santo Antônio, foi encontrada na outra margem da lagoa na vila de Georgino Avelino, e hoje é o padroeiro da cidade. Os antigos dizem que o Santo foi “nadando” até aquela localidade.
O local onde o “Santo” foi encontrado foi demarcado com uma cruz em sua homenagem. e até hoje recebe visitas de turistas e romeiros de todos os cantos.
Hoje, cada vez mais esta historia fantástica se perde no tempo. São raros os registros históricos modernos desta mudança drástica que acometeu esta lagoa que virou mar e da cidade que sumiu da noite para o dia.
Área de Preservação Ambiental Bomfim/Guaraíras:
Área de Preservação Ambiental Bomfim/Guaraíras:
Segundo o Idema Os principais atributos físicos da APA de Bonfim/Guaraíras, são:
- Posicionamento geográfico
- Belezas paisagísticas
- Dunas fixas e móveis
- Tabuleiros
- O Complexo Lagunar Bonfim, e de Nísia Floresta-Papeba-Guaraíra.
- Drenagens: Riacho Pium; Riacho Boa-Cica; Rio Trairi, Rio Arari; Rio Baldum; Rio Catu.
- Feições Costeiras: Praias e falésias
Os principais atributos bióticos da APA são os ecossistemas inseridos no domínio da Mata Atlântica:
- Floresta Ombrófila
- Manguezal
- Restinga
- Tabuleiro Costeiro
As principais atividades econômicas são:
- Agropecuária
- Extrativismo vegetal
- Pesca
- Carcinicultura
- Turismo
| Por do Sol na Lagoa Guaraíras, um dos mais belos do Mundo. |




Imagens dos canais em preto e branco são meramente ilustrativas, e mostram imagens de outros canais construídos na época.
ResponderExcluirExcelente pesquisa ... pouca gente a fez e publicou !Parabéns !!!!
ResponderExcluirParabéns!
ResponderExcluirSimplesmente maravilhoso, isso é que eu chamo de contribuir com história.
MARAVILHOSO.
Cândido José Barros Cavalcante - Filho de Tibau do Sul (Jonas e Célia).
Nações Unidas - 17/11/2012, Pourt-au-Prince, Haiti.
Ola, Helmy. Se quiser entrar em contato comigo, me manda um mail p richardsonbahia@hotmail.com. Eu conversei por anos com o Sr. Severino Cecilio (Severino da boca da Mata), que foi nativo da primeira cidade de Tibau do Sul (anterior ainda a essa que foi levada pela lagoa)e acredito que tenho ainda algumas informacoes sobre este episodio para ilustrar ainda mais este seu trabalho tao bom. Parabens. Ricardo Bahia
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